Tu que é especial, pai

Há mais ou menos seis anos, época em que eu ainda me dedicava à literatura e que meu pai ainda morava em Porto Alegre, escrevi um texto sobre o modo de amar do Seu José. Desde que me dei conta da falta que ele fazia na minha vida, vinha tentando entendê-lo. Infelizmente, devo dizer que nunca vou compreendê-lo o tanto que gostaria, mas o que conheci é suficiente para levar comigo a certeza de que tive o melhor pai que ele conseguia ser. Seu José, como todos sabem, nunca foi uma pessoa fácil, mas sempre, sempre, sempre, sempre e sempre, foi uma pessoa boa. Daquelas que não se acredita que possa ser tão boa e que de tão boa, parece ingênua, boba e às vezes até idiota. Às vezes ele era tudo isso e também chato, de vez em quando grosso e muito teimoso. Mas de fazer mal a alguém ele era incapaz. E essa era uma de suas qualidades que mais me deixa orgulhosa.

Hoje, depois dessa última peça que ele me aprontou – foram poucas, devo ser justa – fui atrás do tal texto. Queria lê-lo para nunca mais esquecer como era o amor dele, mesmo sabendo que esquecê-lo é impossível. A pequena crônica se chama “E se eu pudesse escolher” e fala basicamente da minha busca por compreender o amor do Seu José para quem sabe um dia amar como ele. Como todos sabem, meu pai não era muito dado a conversas íntimas e menos ainda sentimentais. Seu José era um cara fechado e muito cedo eu aprendi que para compreendê-lo eu tinha que respeitar o jeito dele. O texto de 2004 não vale mais porque é muito pouco para definir a forma de amar do meu pai, tão complexa que era, mas esse vale como tentativa de homenageá-lo em público, algo que nunca fiz.

Não posso dizer que já aprendi a amar como Seu José, mas posso dizer que sei um pouco, e que aprendi a ser amada por ele e a não amá-lo menos por não compreender esse amor e toda sua complexidade. Consideramos justa toda a forma de amor, já diria Lulu Santos, certo? E não desejamos mal a quase ninguém, lembram? Lulu Santos não é a melhor das referências, mas nesse momento, faz algum sentido. E ainda que agora Seu José esteja causando um sofrimento enorme por ter ido embora assim, sem um telefonema de despedida que fosse, não posso dizer que ele nos fez mal; pelo contrário, seu amor, da forma dele, só me fez, faz e fará bem.

Meu pai, do alto de todo seu catolicismo que eu nunca compreendi, era o melhor exemplo de quase todos os mandamentos. Ou melhor, era a personificação deles. Ao menos dos que eu me lembro. Seu José acreditava no é dando que se recebe, e também no faça o bem não importa a quem, ou ainda no ame o próximo e etc e tal.  Deve ser resquício da época de coroinha, vai saber? Esse era o jeito dele de amar. Amar o outro sem esperar nada em troca, fazer o bem mesmo que o mesmo bem não fosse feito para ele por aquelas pessoas. Amar e ponto. Não sabia fazer carinho, não sabia fazer declarações, menos ainda mandar flores ou fazer surpresas. Mal sabia dizer um eu te amo que soasse límpido e claro, mas sabia, e muito bem, amar e ponto. Obviamente não é assim tão simples, o amor do Seu José, mas era bastante fácil de senti-lo, e não por acaso ele colecionava fãs onde fosse.

E ao menos com os filhos e com os irmãos, posso dizer, com toda a convicção, que Seu José nos amou mesmo distante, mesmo ausente, mesmo tão quieto e tão na dele. Ele nos amou trabalhando para nos ajudar sempre que fosse necessário. Para estar lá quando precisássemos dele, para nunca ser um estorvo, para que conseguíssemos seguir com nossas vidas como bem quiséssemos, que fossemos independentes e principalmente livres. Não por acaso ele brincava dizendo que queria morrer como um passarinho. Ele prezava muito a liberdade e morreu lutando para não perdê-la. Acho que, mesmo aos trancos e barrancos, tu conseguiu, pai.

O tempo que passei com ele não foi e nunca será suficiente para eu ser minimamente como o Seu José, menos ainda para que eu ame como ele. Amar e ponto. Mas foi, pai, tempo suficiente, para entender porque eu sentia tanta falta de ti na minha vida e porque vou e vamos sentir essa saudade para sempre agora, de ti e do teu amor. Tu que é especial, pai.

*Texto escrito de 19 a 21 de dezembro de 2010.

Bicampeã da América ou a história de como me tornei colorada

Eu vi o Inter ser campeão da Libertadores em 2006, assim como vi o Inter ser campeão do Mundo no final de 2006. Também vi o Inter ser campeão da Recopa em 2007, da Dubai Cup em 2008 e, no Beira-Rio, vi o Inter ser campeão da Sul-Americana. Em 2010, há dois dias, vi o Internacional ser BICAMPEÃO DA LIBERTADORES e fiquei muito, mas muito, muito feliz. E o engraçado disso tudo é que essa mais recente conquista me parece muito maior e mais inacreditável do que as anteriores, sendo que eu sei que nada pode superar o gol do Gabiru no Barcelona no quesito incredulidade.

Mas ainda em chamas pelo bicampeonato que tive que comemorar internamente por ter que trabalhar após o jogo ao invés de ir pra Goethe (snif), parei pra pensar porque diabos eu estou tão nas nuvens se o Internacional vem me dando alegrias desde 2006? Se a gente inclusive já tinha sido campeão da Libertadores? Tudo começa com o Grêmio. E não apenas porque com esse bi o Inter se iguala ao seu único rival de fato, mas porque agora, como bem disse o amigo José Paulo, está tudo zerado. Inclusive, o meu - ou seria nosso? - trauma de infância: qualquer colorado nascido nos anos 80, início dos noventa, sabe o quão sofrido foi agüentar o bicampeonato do Grêmio na Libertadores de 1995, o título de campeão da Recopa em 1996, o bi no Brasileiro no mesmo ano, o tricampeonato da Copa do Brasil em 1997, o título de campeão da Copa Sul-Brasileira em 1999 e, por fim (graças ao bom Deus), o tetracampeonato da Copa do Brasil em 2001.

Mas, para além do Grêmio, eu estou especialmente feliz com esse bicampeonato porque me sinto muito merecedora desse título. Porque apesar de parecer colorada desde que nasci, eu não sou (revelações bombásticas; no próximo parágrafo, opção sexual. Nenhum sentido). É que na época em que conseguia articular palavras partindo do meu próprio pensamento e responder com convicção perguntas tipo "quantos anos você tem", "em que série você está" e "pra qual time você torce" eu morava em São Paulo e, portanto, torcia para um time de lá, a saber, o Corinthians (Emily na fogueira! Culpem o meu pai que é catarinense e não sabe nem o que é um escanteio, que dirá ser corintiano). Mas daí, por força do destino ou simplesmente porque meus pais se separaram, eu voltei para Porto Alegre, cidade na qual nasci, mas da qual tinham me levado com um ano em meio. E, nem vem, ninguém é colorado com um ano e meio de idade. Ao menos não conscientemente.

Durante um tempo, eu segui sendo corintiana, mas não demorou muito para eu ser obrigada a parar de me enganar e aceitar que eu não voltaria tão cedo a morar em São Paulo e que de nada adiantava ser corintiana indo para São Paulo só nas férias. Além do mais, eu não agüentava mais as pessoas me perguntando "e no Rio Grande do Sul, pra quem tu torce?". Era hora de escolher.

Estávamos em 1990 e alguma coisas e os anos 80 e 90 inteiros estavam a favor do Grêmio. Minha cor preferia era e segue sendo o azul. A favor do Internacional tinha apenas a minha família, majoritariamente colorada, e um longínquo tricampeonato invicto conquistado numa época em que meus pais nem pensava em se conhecer, muito menos em casar, ter dois filhos e se separar. Ainda mais sendo gaúcha, eu precisava pular para um dos lados do muro. Para sempre.

Não lembro quanto tempo demorei para decidir, mas lembro bem os argumentos que me levaram aos Internacional: não foram os títulos de um ou de outro, nem o vizinho do andar debaixo que enquanto gremista era insuportável (alô, Adriano, cadê você?), nem a família colorada ou a minha cor preferida que pesaram. A minha opção pelo Inter, acreditem ou não, foi motivada por esse sentimento que hoje eu sinto e que, confesso, tive medo de nunca sentir. O sentimento de que essa conquista também é minha, que eu faço parte disso e, mais, que eu mereço ser Bicampeã da Libertadores e de tudo. E eu mereço não apenas porque minha opção pelo Inter foi de coração, mas porque foi, acima de tudo, um investimento. E eu não estou falando de dinheiro, até porque não sou sócia e dá pra contar nas mãos e nos pés quantas vezes fui no estádio pagando ingresso, mas sim da única coisa que qualquer torcedor pode de fato oferecer: amor.

Desde o momento em que decidi que ia ser colorada, mesmo sabendo que vivíamos tempos difíceis por conta do nosso bem-sucedido rival, até hoje - e daqui em diante, é claro - eu amei o Internacional. Mesmo quando a gente perdia os campeonatos gaúchos em grenais, por muito tempo nossa única felicidade frente ao Grêmio, eu continuava amando o Internacional. Vestindo a camiseta, vendo os jogos, ficando triste quando perdíamos e alegre quando ganhávamos e, óbvio, escutando pacienciosamente as chacotas dos gremistas, tão soberbos que eram. Ao menos até dois dias atrás.

E é por tudo isso e mais um pouco que não cabe em palavras que ser BICAMPEÃ DA AMÉRICA é, está sendo, já é, tão especial pra mim. Não são só pelo títulos, pelo trauma superado, mas principalmente por esse sentimento de amor correspondido.

Obrigada por tudo, Internacional.
Eu também te amo.

22

(O drama de todo o ciumento patológico: seqüestra seu objeto de amor e o confisca do mundo, mas na solidão do cativeiro, como um colecionador louco, embeleza-o com um capricho e uma paciência de taxidermista, de modo que no final, quando o trabalho está pronto e o objeto de amor é, finalmente, a boneca deslumbrante e perfeita que o ciumento sempre quis que fosse, o objeto de amor acaba de escovar os dentes, amarra os cadarços dos sapatos, acaba sua xícara de café, beija o ciumento e, para sua estupefação, sai para o mundo - e sai belo, irresistível, rejuvenecido, como se a devoção, os cuidados maníacos e tudo aquilo em que o ciumento patológico confiava para garantir sua posse exclusiva agora só lhe garantissem que em breve, muito em breve, irá perdê-lo). 

 

Voltar a postar no blog tanto tempo depois e ainda por cima um trecho do livro que provavelmente entrará para a lista dos ‘definitivos e definidores’ - O Passado, do argentino Alan Pauls - é só uma prova de que eu estou precisando escrever. Por enquanto, publico apenas uma grandíssima referência.

Perdendo as contas

Perdi as contas de quantas vezes parei diante de uma vitrine, atraída por (mais) um presente que, pensei comigo, era a tua cara. De quantas vezes, ao subir as escadas do prédio, lamentei por nunca ter, efetivamente, te convidado para entrar, para conhecer a minha casa, finalmente minha, e só. Em como eu queria poder te mostrar meu quarto, me desculpar pela bagunça, apontar todas as minhas últimas aquisições literárias na estante e responder sobre a procedência de cada nova quinquilharia pendurada por aqui, sem pressa.

Perdi as contas de quantas vezes cozinhei e, ao provar a comida, pensei no que tu diria sobre o tempero, o ponto, a consistência, em como terias feito, no que eu fiz de errado, apesar de estar uma delícia, viu, me dá aqui essa colher e deixa eu provar mais um pouquinho. Ou seria só para poder te tocar? De quantas vezes pensei em te ligar para contar uma novidade, qualquer pequena conquista que fosse, só para escutar os teus parabéns, que pareciam sempre tão mais sinceros, despidos de cobranças, de burocracias e de ironias. Ou seria só para te ouvir? Em como eu quis que tu me visse andando pela casa e me dissesse para não andar de pés descalços no piso frio pois assim eu ia me resfriar. Ou era só para te ver?

Perdi as contas de quantas vezes contei nos dedos há quanto tempo (dias, semanas, meses?) eu não lembrava de ti até me dar conta que lá estava eu, lembrando. De quantas vezes eu não quis lembrar e já pensando em ti não consegui mais esquecer. E em como me faz falta poder pensar, lembrar de ti, sem que em seguida eu precise, queira, esquecer.

Perdi as contas de quanta falta tu faz. De quantas vezes desejei outro destino. E em como tudo poderia ser diferente se tivéssemos tido a possibilidade de escolher, não é mesmo? Mas, não.

Um ano depois, volto a postar para provar que esse blog (ainda) não morreu. E pra dizer que esse singelo texto é dedicado à minha vó, de quem me separaram recentemente.

Enquanto isso

Enquanto não sou chamada por um grande jornal para escrever sobre cultura e afins (sonho meu, sonho meu), vou exercitando a escrita por aqui mesmo, num site muy diver do qual me tornei colaboradora, o Tropecei Nisso Aqui. Minha segunda postagem, sobre o Museu do Sexo de New York e a fotógrafa Autumn foi publicada hoje, 30.04, e pode ser lida aqui. Já a minha primeira aparição, também sobre arte (ui, que chique) pode ser lida aqui; é sobre a galeria on-line baixocalão. Aparece por lá. Uma hora dessas eu volto a escrever por aqui também, juro.

ps: De LAMBUJA, uma foto da Autumn, cujo nome, aliás, quer dizer OUTONO. Bem propício para o nosso clima, nénão?


Lacuna Corporation

Com freqüência, as pessoas me perguntam por que eu guardo tanta coisa. No processo de desencaixotamento da mudança, eu encontrei coisas absurdas, tipo um texto que escrevi para uma aula do Seben (Paulo Seben, o poeta) em que a Julia e a Karine conversavam sobre uma festa que a Julia tinha ido comigo e a Karine não. O diálogo era tão real que, quando mostrei pra elas, nós três ficamos na dúvida, nos perguntando se aquilo era a descrição de uma situação similar à realidade ou se era simplesmente uma transcrição da verdade. A Julia matou a charada dizendo que ela nunca perguntaria para a Karine como é uma pessoa de peixes porque ela conhece as características do signo. Outra coisa que achei foi um texto de uma outra amiga, algo sobre televisão, educação e publicidade (acho que era isso) escrito para a terceira cadeira de português da faculdade, no tempo em que ela não ignorava a existência do corretor ortográfico do word. Além disso, também achei uma carta que a Julia me escreveu na folha timbrada da marca de camisetas que criamos no segundo semestre e na qual ela lamentava que eu ia mudar de curso e trocar a Fabico pela Psicologia. Eu podia ficar a madrugada inteira contando tudo que eu encontrei desde que me mudei, mas não vou. Mas, tipo, eu nem lembrava mais de que tinha realmente pensando em mudar para a Psicologia em 2004, e muito menos de que eu tinha chegado ao ponto de me inscrever para o vestibular de 2006.

Foi depois desse e de outros episódios que cheguei a conclusão de que guardo tanta coisa para lembrar de mim mesma: do que fui há alguns anos, o que queria, o que pensava e o que sentia. E isso tudo também me fez pensar sobre as pessoas que jogam tudo aquilo que lembra outra pessoa no lixo. Tipo, ex-alguma coisa, saca? Eu até entendo que algumas mensagens do celular sejam apagadas, algumas camisetas não devolvidas doadas e algumas fotos guardadas, isso é realmente necessário algumas vezes, mas me pergunto o quão saudáveis e o quão eficazes são atitudes desse naipe. O Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças tá aí para provar que tem coisas que não podem ser apagadas. Amor me parece uma delas, entre algumas outras.

Sabe, mesmo que tudo vá pro lixo: fotos, cartas, roupas, cds e livros, que se perca totalmente o contato com a tal pessoa - ainda que em tempos de orkut isso seja praticamente impraticável - é impossível deletar alguém. Pode-se tentar (e às vezes conseguir) tirar alguém da vida diária, mas da própria história, e às vezes, de si mesmo, não dá. Pode-se passar muito tempo sem pensar numa pessoa, sem ver a pessoa e até mesmo sem falar o nome dessa pessoa, mas em algum momento, por um instante que seja, algo vai te fazer lembra daquela pessoa simplesmente pelo simples fato de que ela faz parte do teu passado. E foi um pouco pensando sobre isso que fui ver o decepcionante O Passado - sobre o qual eu escreverei depois que ler o livro (eu devia ter desconfiado de um filme do Hector Babenco com atores espanhóis, incluindo o Gael): o quão prejudicial o passado pode ser para o futuro e o quão prejudicial o futuro pode ser para o presente?

Na época em que vi o filme, não cheguei a conclusão nenhuma, só fiquei indignada, visto que é bem ruizinho. Hoje, depois disso tudo aí em cima relatado, penso que as lembranças só são prejudiciais se elas forem transformadas em esperanças também: esperança de que, de alguma forma, o passado se repita: que uma viagem seja tão boa quanto foi aquela outra, que um amor seja tão grande como foi aquele, que uma festa seja tão divertida quanto aquela que nós três fomos, ou não. O passado nunca vai ser apagado, guardemos ou não seus vestígios, pois ele sempre existirá na memória (ao menos até uma certa idade). Logo, me pergunto: vale a pena não guardar certas coisas, ou pior, tentar destruír o que passou colocando tudo no lixo? Talvez não seja assim tão simples e eu esteja numa madrugada Pollyana, mas é que é tão mais divertido encontrar uma foto e sorrir sozinho sentado no chão do quarto. Se não for por isso, ao menos que seja pelo bem dos nossos biógrafos. Aqui, um print da logomarca que eu e as gurias citadas lá em cima criamos. Bom dia.  

                                   

08.03

Pela primeira vez em 24 anos (tá, exagerei), não recebi NENHUM parabéns pelo fatídico Dia da Mulher. Menos ainda rosas vermelhas ou Sonho de Valsa grampeado num papel com uma mensagem brega escrita em itálico e uma moldura de corações vermelhos em volta…

Obrigada por me pouparem, homens do meu Brasil. =)

achados e perdidos

Procura-se o dono desse CD:

1- A fond farewell - Elliot Smith
2- April fools - Rufus Wainwright
3- Yea heavy and a bottle of bread - Bob Dylan
4- You aint going nowhere - Bob Dylan
5- Grace cathedral hill - The Decemberists
6- We both go down togheter - The Decemberists
7- The rollercoaster ride - Belle & Sebastian
8- The trip - Donovan
9- I hate rock and roll - Jesus & Mary Chain
10- You set the scene - Love
11- The hardest button to button - The White Stripes
12- Into the sun - Sean Lennon
13- The bucket - King of Leon
14- God only knows - The Beach Boys
15- Something 4 the weekend - Super Furry Animals

Eu simplesmente não faço IDÉIA de onde ele saiu.
Só sei que ele é simplesmente GENIAL.

Sede de

Enquanto ela beija sua bochecha macia, ele fecha os olhos. Ao abri-los, procura pela boca dela, que foge. Os dedos finos que se arrastam entre os fios grossos de seus cabelos agradam. A cada movimento das mãos, ele inclina a cabeça mais para trás e o corpo mais para frente em busca do dela. Ao se esquivar, chegando às costas, ela sente ambas as respirações se acelerarem, mas se controla para que a tentação do prazer não vença o esforço do afeto. Mas tão logo os lábios, línguas e salivas se encontram, todos os movimentos se tornam um só, simultâneos. Ao simples toque, a pele ganha aderência. O suor que reluz nos corpos também é responsável pelo odor que impregna o ar, aumentando o apetite de ambos. O arfar dela dita o ritmo da ação. E as poucas palavras sussurradas catalisam o ímpeto dele, que só cresce, cresce e cresce.

A temperatura dos corpos começa a voltar ao normal. Ela levanta em busca de um lençol ou algo que a cubra; ele se dirige à lixeira mais próxima e retorna ainda ofegante. Apenas os braços se entrelaçam. Ela pensa em pedir água; ele em se oferecer para buscar. Nada. A garganta seca. As pálpebras fecham. Ambos dormem no mesmo silêncio de outrora, cada qual com a cabeça num travesseiro.

panda-juca-bala