No negativo

Sabe aqueles dias em que mesmo que tu ganhasse na mega sena, mega acumulada, Deus ficaria mega devendo pra ti? Esse é um daqueles.

para entrar na história

Antes de qualquer coisa, é importante dizer que não entendo NADA de música. Canto tão mal que nem serenata de amor, mesmo que ao pé do ouvido, eu tenho coragem de fazer. Muito menos de encarar algum videoquê à la Trivial Bar (MEU DEUS, alguém, além de mim, lembra desse lugar?). Tá, talvez alguns aí se recordem da minha pessoa cantando a-lu-ci-na-da-men-te a música EVIDÊNCIAS no videoquê do meu primeiro aniversário na faculdade, que foi na minha casa-padaria, lá em 2004 (ou seria 2005?), mas, bem, aquela foi simplesmente a melhor festa DO MUNDO (né, né?) e eu já estou aí, quase me formando e tal. Logo, aprendi algumas coisas.

Instrumentos eu também não toco. Faço uma AIR BATERIA tão descordenadamente que esses dias tive que tomar lições básicas de bateria com o Rodrigo (tipo, o que se faz com os pés, que mão bate em que e tals…) para que ao menos PAREÇA que eu estou simulando uma bateria e não outra coisa qualquer. Amo gaita e, inclusive, tenho uma, mas nem happy birthday to you eu consegui tirar na maldita. Ritmo, a última esperança dos desavisados que não sabem quem eu sou, também foi para as cucuias: fiz flamenco durante uns meses, e até para bater palmas no tempo (e no contratempo) eu precisei de lições do senhor-professor-paulo-ricardo-olhar-quarenta-e-três (ui!). MAAAS, eu gosto muito, MUITO, demais da conta, de música. Por isso, aqui me arrisco.

Então que esses tempos tive o final de semana mais musical de todos os tempos (20, 21 e 22 de junho): foram, simplesmente, três shows e um combo baile da terceira idade + festa junina + aniversário de 70 anos da minha vó, tudo em menos de 48 horas. Em realidade, o último evento não interessa muito aqui, mas foi citado porque não é todo dia que vou com TODA a minha família em um dos vários bailes que minha vó frequenta nas tardes de sábado e domingo e ainda danço um sambão com meu tio.

Mas, voltando, o primeiro show que assisti foi o A vida é perto, da Olívia Byington, na sexta-feira. Música popular brasileira, uma bela cantora na casa dos 50, que sentada solita em um palco decorado por livros expõe suas letras e uma voz que, de tão forte, por vezes parece não caber em um corpo tão pequeno, um rosto tão delicado e um sorriso tão maroto. Me explico melhor para não parecer que estou apaixonada: A proposta de Olívia é um show-monólogo, que ao meu ver, é uma proposta interessante já de cara, ainda mais em se tratando de alguém cuja vida aparentemente não despertar tamanha curiosidade. Oras, Olívia não é famosa, como também não é sua irmã, a Bianca Byington (Malhação, lembram?), mas é uma ótima cantora com uma trajetória e opiniões que são deveras instigantes. Em termos mais "técnicos", a voz dela oscila sem desafinar, sem machucar o ouvido, e mesmo chegando ao ponto de parecer de uma cantora lírica (sim, ela estudou canto lírico), não chega a encher o saco. As letras feitas a maioria em parceria com um português são bem boas, sem pretensão de genialidade e ainda que Olívia seja péssima no violão (péssima ao ponto de eu perceber que ela tinha feito algo errado), não compromete o todo. A idéia de contar um pouco de sua vida é bacana na medida em que ela é alguém que faz MPB sem SER MPB, um ícone tipo Chico, Tom, Vinícius. Ela não entra em detalhes dos episódios tristes, nem mesmo cita os sórdidos, mas compensa exaltando a beleza dos acontecimentos sem, de novo, forçar grandiosidade. Não faz sua vida parecer mais do que é, mantendo a simplicidade que me parece lhe ser característica. Mas, mais do que tudo isso, Olívia canta com um carinho pelas músicas que é fácil esquecer as notas e acordes que de vez em quando lhe escapam. O show não é perfeito, tem um fim meio nada a ver (antes do bis), mas ainda é um show que esquenta o coração pelo ouvido, por mais piegas que isso possa parecer.

O segundo show, que juro, não esperava quase nada além de motivos para cornetear o Leo Ponso depois, se tranformou em uma ótima supresa. Ver o Leo tocar AC/DC tava mais para prova de amizade do que qualquer outra coisa, até porque eu tava podre depois da semana de comemorações de entrega da monografia (iei). Era 1h da manhã e minha pilha duracell já tava quase se indo, eu tava caolha (sem lente em um olho) mas, mesmo assim, adorei o show. Não (só) pelo striptease do amigo do Leo, que digamos, foi um ponto alto do show, porque óbvio que eu nunca esperava um strip (que, aliás, nem foi completo, não se emocionem), mas sim pela empolgação dos moços. Sério, todos deveriam estar usando aquela camiseta do amigo urso dizendo "ninguém nos ganha em vibração". Era uma animação naquele palco, e na platéia também, que estava alucinada fazendo o tal do headbanger (e nos acertando), que era impossível não mexer um pouco a cabeça e obviamente as pernas. Mesmo caolha, cansada e cheia de roupas e casacos dei os meus pulinhos nas três músicas que eu conhecia. Nunca tinha ido em um show de puro rock no garagem (bah, que estilo) e tenho que admitir que em melhores condições e em uma companhia total rock in roll eu certamente enlouqueceria e daria cabeladas em muitas pessoas também.

Mas nada podia ser melhor do que terminar o momento musical do ano (até então) com aquele ser di-vi-no (saca a entonação) que é o Ney Matogrosso. Eu nem conhecia todo o repertório dele, mas fui pela experiência estética que me prometeram ser inclassificável (gracias, flor). E de fato foi. Fora as velhinhas que ficavam gritando GOSTOSO, AMOR DA MINHA VIDA, TENHO TUA FOTO DO LADO DA MINHA CAMA (WTF???), todo o show foi um absurdo de bom, de ficar de boca aberta. Aliás, não me lembro de desmanchar o sorriso uma vez se quer. Mesmo as músicas do Cazuza, que não são, na minha opinião, uma brastemp, ficaram ma-ra-vi-lho-sas (saca a entonação) na voz e na pele do Ney, que se movimenta e dança de uma forma que é impossível não ficar pensando em quantos anos ele tem mesmo (?). Além dos músicos que eram puro estilo e percurssão, o que deixa o show ainda mais "caliente", e os modelitos ultra brilhantes e lindíssimos do Ney, a escolha do repertório é que é mesmo FATAL. Todas as músicas na voz e na energia do Ney eram otimistas, mesmo que às vezes tivessem um quê de melancolia, como veja bem meu bem, do Camelo que, aliás, me deixou apavorada, visto que passei o show inteiro imaginando o que não seria um los hermanos na voz do Ney sem saber que teria a oportunidade de escutar. Para completar, o show rendeu várias piadas internas depois com a música, que ao meu ver, expressa muito o que o Ney representou naquele palco, que vem a ser (atenção Julia Becker): SE JOGA CORAÇÃO, SE JOGAAAAAAAAAA…

Ai, enfim.

novas descobertas inéditas

A pessoa tem certeza de que é a mais estabanada do universo quando ao colocar o tubo de xampu em cima do suporte de plástico (aqueles que ficam presos no canto, saca?) já se abaixa esperando o dito cujo cair sobre sua cabeça. Hoje, apenas hoje, isso não aconteceu.

Remelas

Da série contos guardados por muito tempo no "drafts".

Abafado. É como está o quarto naquela manhã-tarde de domingo. O sol, à pino, desenha listras na parede com ajuda da persiana. O mormaço é tanto que é praticamente possível enxergar o ar. Os pés para fora do lençol, as pernas grudando uma na outra, o rosto lustroso e as pálpebras a reluzir suor. Ainda que contra sua vontade, Marina decide levantar da cama. Quando foi mesmo que passou a acordar de mal-humor em um dia lindo de domingo como aquele? Há poucos minutos suava de tesão, agora destila ódio aos sonhos passados e aos pesadelos futuros.

No banheiro, limpa as remelas que se acumulam no canto interno do olho. Marina, segundo ela própria, podia ser uma abastecedora de remela para terceiros. Será o sal da lágrima o ingrediente essencial da remela? Se fosse, estava explicado o excesso. Ela não lembrava mais de uma noite que em não chorasse, ao menos um pouco. Era uma choro simbólico, a cada dia com menos lágrimas, menos caretas e já sem nenhum soluço ou dor de cabeça. Marina, em realidade, estava esperando a fonte secar, sem pressa. Nessa espera, a única coisa que incomodava mesmo eram as muitas remelas. Mas mesmo pelo fim delas estava disposta a esperar mais um pouco.
Voltou a cama e ele ainda respirava um pouco ofegante. Deitou-se ao seu lado, sem, porém, virar o rosto para o dele. Durou pouco o distanciamento entre ambos, logo estava sendo tocada, e ele não só roçava o corpo, mas também era carinhoso, enrolando os dedos nos seus cabelos e beijando sua testa, seu nariz, suas bochechas rosadas do calor e sua boca. Marina sorria porque era só o que sabia fazer para ele, em qualquer momento. Mas sorria aquele sorriso sem dentes, sorriso de lábios, amarelo, como quem encontra um semi-conhecido na rua. Como diabos ele não percebia a mudança na sua face, estampada na sua cara? Se antes ela gemia, agora ela nem falava e sorria sem rir, tal qual uma atendente cansada no fim do dia. Ele continuou com as insinuações corporais, ensaiou algumas palavras, mas como não obteve resposta, parou. Marina, quando estava quase cedendo (como era de praxe) resolveu se levantar.

Vestiu-se argumentando que tinha um compromisso familiar, que não podia se atrasar e que ele, por favor, não ficasse chateado. Mas antes que ela colocasse a calça jeans, ele a abraçou por trás e com ela se atirou na cama. Marina nem pensou em resistir, o tesão já tinha tomado até sua consciência. Em segundos estavam na mesma posição em que gozaram antes, logo depois da preferida dela, na preferida dele e em uma quarta que inventaram naquele momento. E deu.
Marina não dormiu mais do que meia hora. Mesmo que o corpo estivesse cansado e até mesmo gasto de tanto tesão. De novo o calor, de novo as remelas. Antes que ele pudesse acordar, juntou as peças no chão, foi até a sala e vestiu-se no máximo de silêncio que foi capaz, ainda que estivesse um pouco ofegante. No banheiro, constatou, novamente, o excesso de remelas que lhe grudavam os olhos. Encostou a porta, abriu o mínimo da torneira e deixou que lentamente a água ocupasse toda a concha que fizera com as mãos. Quando cheia, jogou tudo contra os olhos. Com a ponta dos dedos, retirou o que havia restado. Ao sair do apartamento, teve um impulso de bater a porta, mas parou e, lentamente, encostou-a o máximo que pode. A noite estrelada anunciava que teria uma segunda-feira ensolarada.

Para entrar nas comemorações oficiais

Enquanto eu não termino o post que está ali no rascunho e que está i-men-so, divido a descoberta do dia, aliás, a melhor idéia da publicidade nos últimos tempos. Trata-se do Dia do Sexo, a ser celebrado no dia 6 de setembro de todos os anos, óbvio (\o/). Campanha feita pela agência age. com a marca de preservativos Olla (fhhfahdldsjdhflshf), a iniciativa usa como argumento o fato de que se existe "Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças, Dia dos Namorados, por que não criar um dia que deu origem a tudo, o Sexo?" - ousados na comparação, hein? No Manifesto ao Dia do Sexo, afirmam: "graças a ele você existe, sua família existe, a humanidade inteira existe. O Sexo está presente em tudo, desde a literatura, arte e moda, até na Bíblia". E para não parecer que são um bando de tarados, a campanha defende que esse seja um dia não SÓ para fazer sexo, mas também para pensar, falar sobre, quebrar tabus (ARRAM, SEI) e ainda disseminar o sexo seguro. Para assinar o manifesto e ajudar os caras (e toda a humanidade) que, claro, querem que o dia entre no CALENDÁRIO OFICIAL E NACIONAL DE COMEMORAÇÕES, é só entrar no http://www.diadosexo.com.br/. Vale a pena ver o vídeo simpático e colocar o mouse em cima do nome das seções para ver os bonecos palitinhos em ação.

obs: Certo que a escolha da data foi propositalmente antes de um feriado para que as pessoas não precisem acordar cedo e ir trabalhar depois de celebrar…

45 em 69

Depois de 45 dias escrevendo em madrugadas e finais de semana cheguei ao fim da minha tão fatal - em ambos os sentidos, atraente e perigosa - monografia (aeee). E não podia ter encontrado um número melhor do que o de 69 páginas para marcar nossa "relação" (hihihi), pois se eu a amo mais que um filho, o que no meu caso, é óbvio, também sei que ela pode arruinar minha carreira, e não só a acadêmica. Normas da ABNT? WTF é isso, por Deus? … Mas fora ignorar conscientemente algumas regrinhas e de não me puxar nem um pouco na correção ortográfica - o que em se tratando da monografia de uma JORNALISTA, talvez caia bem mal (ooops) - eu até que me orgulho do que fiz. Se não foi escrita no tempo que deveria para ser considerada saudável, tanto para o texto quanto para a autora, essa monografia ao menos é um bom pedaço de mim (ó, que lindo).

Com o título Memória e Identidade: ser jornalista e a Folha da Manhã cheguei a conclusão de porque não sou e talvez nunca chegarei a ser jornalista como é, por exemplo, o Caco Barcellos, primeira inspiração para essa monografia. O cara que era taxista e que teve na Folha da Manhã uma das primeiras e grande oportunidade de fazer jornalismo vivia nos anos 70, bixo, e os anos 70 não voltam mais. Hoje eu, e minha orientadora Clarice melhor-sobrenome Esperança, entendemos (sim, ela disse isso) porque o Ungaretti (www.pontodevista.jor.br) continua com aquele papo de que "jornalismo é subversão, o resto é secos e molhados" (UNGARETTI, all the time).

Depois de 69 páginas, descobri minha América do jornalismo. Não sei se "só" porque era época de Ditadura Militar, do caso Watergate, ou de revistas geniais como a Realidade (a Piauí ainda não se compara), ou sei lá mais o que acontecia nos anos 70 que não fosse a hipongagem. O fato é que nos anos 70 se era de fato jornalista, romanticamente falando. Hoje, meu bem, somos muito mais comunicólogos. Nos anos 70, ser jornalista era ser mais do que ser revolucionário, era ser alternativo. Não necessariamente todos e nem em todos os sentidos, é claro. Não estou aqui falando apenas da questão política, de ser de esquerda e tals, mas sim de ser um cara que conseguisse sair do lugar comum através de textos e imagens, noticiar fatos de uma forma inovadora, sem compactuar com o conservadorismo que pairava na imprensa e suas notas oficias e releases (sim, eles já existiam!). Nos sentidos mais simples das duas palavras: ser jornalista era revolucionar o que estava dado, ser capaz de alterar o usual, modificar, transformar, mudar e enfim, criar e recriar. Mas isso, pois bem, eu acho que muito gente já sabia. A minha América mesmo foi a partir da relação entre o jornalismo de hoje e a academia, olha que ironia.

Para quem não sabia, foi na década de 70 também que os cursos de gradução iniciaram e que o diploma se tornou uma exigência, deixando o ensino superior com uma importância absurda. E tudo isso junto reunido não podia não resultar em nada, é óbvio. Com o fim da ditadura e da implementação da "democracia", os meios de comunicação só não ficaram mais fortes, o quarto poder, como também passaram, a grande maioria, a exigir formação acadêmica, coisa que até os anos 70, bixo, não era assim tão importante, não, não era nada importante. Até os anos 70, a maioria dos jornalistas acabavam na profissão por acaso e por pura paixão. Hoje, principalmente em tempos de Rede Globo e apresentadora-modelo-jornalista-atriz, ser jornalista é muito mais uma simples adesão a uma profissão do que um caso de amor à primeira vista.

O mesmo Ungaretti disse esses tempos que jornalismo é vagabundagem (Dilúvio). É vagar pela rua em busca de notícias. Me diz quem faz isso hoje se metade do tempo tem que estar na faculdade e na outra metade no estágio? E mesmo no estágio se passa mais tempo consultando a Internet, assessorando, ou no telefone? Isso não é (só) uma crítica aos trabalhos de hoje, pelo contrário, é uma crítica (leve) a nossa forma de fazer jornalismo, de ser jornalista. Por que não saímos mais e ligamos menos? Não lemos mais e copiamos menos? Sinceramente, não sei.

A conclusão final da monografia e da minha opção pela formação de JORNALISTA é que a vida acadêmica faz mal para a profissão, muito mais do que os estágios, é claro. Ocupa (mal) um tempo que não temos. Mas tempo, eu também já não tenho, já estou aí, quase quase alguém formada em jornalismo.

*Up-to-date: fotinho da bebemoração em 16/06/2008

a gente muda. o mundo muda.

Olha aí a publicidade (ou seria a propaganda? nunca lembro a diferença. Kovarick?) influenciando a mente dos jovens de hoje em dia. Cá estou eu utilizando como título de um post (noturno, como a maioria deles) uma frase, ou melhor, o SLOGAN, da nova campanha do guaraná Kuat. É que eu realmente gosto e muito da propaganda  (ou seria publicidade?), especialmente da música, mas ela não tem exatamente relação com esse texto e nem exatamente genial… (Quem não sabe do que eu to falando que entre em www.kuat.com.br, é tudo bem bonito).

Pois então que, ontem, mais uma pessoa que há tempos eu não via me perguntou da minha estada na Argentina. E ainda é estranho pensar em Paraná, Argentina, sem algum "é, pois é" que me remeta aos problemas, principalmente, burocráticos que tivemos lá: a secretária acadêmica que tava pouco f****** pra nós ou mesmos as velhinhas que eram literalmente lobos em pele de cordeiros e que na verdade só nos deram abrigo porque queriam arrancar dinheiro dessas brasileiras fdp que agora estão bem melhor que nós (eles, argentinos) e que possuem as praias mais bonitas que não podemos mais visitar y qué se yo…

Ainda não consigo dizer que foi supimpa, melhor coisa que fiz na vida, certamente moraria lá. Na verdade nem sei se um dia vou dizer isso. Mas é fato que já consigo, e todo mundo me avisou disso, lembrar dos meses que passei lá com carinho e até sentir saudades. Ãhn, o que? Pois é. Eu não conseguiria viver mais do que duas semanas lá, mas é incrível como algumas coisas me fazem falta, especialmente as pessoas que deixei lá e a distância que tinha de outras daqui. Tem relações que funcionam melhor longe, ou só assim. E tem amigos que são realmente indispensáveis e, principalmente, insubstituíveis. Ao lado das brasileiras Naiara e Liliane, e dos argentinos Manolito, Mercê e Sol, e do mexicano Ulisses, fizemos as maiores revoluções, algumas insignificantes e outros até que importante. Ao final de tudo, destituímos uma secretária acadêmica, brigamos com as avuelas, criamos um programa em uma rádio independente que era um verdadeiro xxxucesso e ensinamos todos a sambar, ainda que mal e porcamente. Pode parecer pouco, mas foram muitas coisas que eu não consegui fazer em anos de faculdade, de Fabico, de UFRGS, de Porto Alegre. E isso deve dizer alguma coisa, mas não quero pensar nisso agora.. Por enquanto, fica só a saudade de Paraná e dessas chicas e chicos, que sempre dizem sentir falta de nós ao caminhar pelas ruas de Paraná. Pois bem, eu também sinto falta de caminhar com vocês.

TPeM

Quando no sábado você é grossa com quem não merece na frente de pessoas muito íntimas; no domingo descobre que as unhas roxas podem ser sintomas e não apenas frio; na segunda derruba um copo de cappuccino inteiro no escritório e na terça de madrugada toma água quente por muito tempo até descobrir que aquilo não era um chá sem gosto… você estará sofrendo uma crise de TPeM: Tensão Pré-Entrega de Monografia.

Jesus!

Será o fim?

Talvez seja a proximidade do aniversário, que com a chegada de maio fixa-se de vez entre meus pensamentos. 24 anos. Não sei se é uma idade bonita, só sei que é uma idade que me deixa cada vez mais perto dos 25, metade de 50, e dos 30, que, bem, é a idade das balzaquianas. Mas também pode ser que nem seja isso, seja apenas pelo fato de eu estar em Canoas, na enorme casa da minha tia, praticamente sozinha, vendo um show do Los Hermanos na TV enquanto tomo chimarrão e escuto a chuva chover. Não importa, o que importa é que entre o ódio, a indiferença e a paixão deles, eu me encontro sozinha.

Pode ser circunstancial, mas talvez pela primeira vez, passar alguns dias só não esteja sendo tão difícil como em outra vezes foi, a argentina por exemplo. Não por não ter em quem pensar, mas por não ter mais o que sentir. É como se, temporariamente, a fonte tivesse esgotado. É uma serenidade que nem por isso deixa de perturbar. Talvez seja a maturidade que desponta ao longe, talvez seja o fim da utopia da sorte de um amor tranqüilo com sabor de fruta mordida. Ou só a chuva e o los hermanos, não importa. Devaneios são sempre devaneios.

As lágrimas, sejam de saudades ou de tristeza, já não rolam mais, o peito já não fica apertado pela angústia que sufoca as palavras e a razão e nem as noites são um martírio de serem dormidas ou vividas. Os dias apenas correm enquanto as noites são sonhadas, e eu não me sinto perdendo tempo com fatos que não merecem tanta atenção e nem com fatos que de tão fantásticos mereceriam todo o tempo do mundo para que durassem muito mais do que segundos. Então eu, que sempre fui uma romântica declarada e assumida, quase uma defensora do amor e dos relaciomentos me pego assim, sem pensar em nada disso por muito tempo e quase que sem sentir, não fosse a saudades, que na verdade nunca vai totalmente embora e até é boa. Eu não sei se isso tudo é bom ou se é ruim, o fato é que é, está sendo assim esta noite.

Não sei, mesmo, para onde essas divagações vão me levar ou o que elas significam. Só espero que seja a maturidade em sua forma mais latente, já que a idade, e não só ela, mas também a formatura e a vida adulta, se aproximam. Porque se for o fim da utopia, da utopia do amor, talvez a pessoa que eu sempre gostei de ser, que se apaixona e que ama e que é feliz por isso esteja deixando de existir. E isso é grave, muito grave.

Quase A Memistória: A Menina de Um Milhão de Nomes – episódio 3

Não existe nada de mais miserável do que um corpo nu sentado sobre a embocadura aberta de um cano de esgoto. Sua alma perdeu a curiosidade de espectadora, sua maledicência, seu orgulho; voltou para o fundo do corpo, para dentro das dobras mais escondidas. Espera desesperadamente ser chamada de volta.

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A continuação desta memistória poderá ser encontrada no blog Usina, de Cris Simon. Para saber mais sobre o que é "Quase A Memistória" e como participar, veja estas instruções. O trecho acima é de autoria de Milan Kundera, publicado no livro A Insustentável Leveza do Ser. Quase A Memistória: A Menina de Um Milhão de Nomes é uma iniciativa de Gustavo Faraon. Para ler a partir do Episódio 1, acesse o blog Idoso.